síndrome do impostor

Síndrome do impostor: O que é, Sintomas e Tipos

A síndrome do impostor é um assunto que está sendo muito discutido pelas áreas médicas e pelo mercado de trabalho. 

A síndrome é caracterizada pela sensação de ser uma fraude, alguém incapaz de dar conta do recado na rotina de trabalho ou estudos. 

Se identificou ou conhece alguém que possui esses sintomas?

Bom, isso é mais comum do que você imagina…

Uma universidade norte-americana divulgou uma pesquisa estimando que 70% dos profissionais já passaram pelo sentimento de incapacidade e sofreram com o peso das dúvidas trazidas pela síndrome do impostor. 

Quer saber mais sobre este assunto? Veja a seguir o que é síndrome do impostor, as formas de tratamento e acompanhamento e quais são os perfis apresentados pelos portadores. 

O que caracteriza a síndrome do impostor?

Apesar de ser discutida mundialmente, inclusive em grandes universidades brasileiras, a síndrome do impostor não é considerada uma doença pela OMS. 

Isso acontece porque ela não está registrada no SID, uma espécie de catálogo universal de enfermidades e transtornos psicológicos.

Ela é considerada uma condição psicológica na qual o paciente tem dificuldades de perceber suas qualidades, algo que os especialistas chamam de transtorno de autopercepção.

Esse processo de sabotagem de si mesmo gera muitos desafios para a rotina profissional e estudantil do portador da síndrome. 

É comum que a pessoa perca a confiança em suas capacidades, tenha momentos de alta ansiedade e sofra com muita insegurança, seja para fazer escolhas simples na rotina ou na hora de realizar uma tarefa mais importante.

Algumas frases são consideradas clássicas dos portadores da síndrome do impostor, e geralmente envolvem essa insegurança. 

Pacientes atendidos por pesquisadores e psicólogos frequentemente dizem que “deram sorte” para chegar até suas profissões ou que se sentem uma “completa fraude”

As causas da síndrome não são totalmente claras. 

A maioria dos especialistas acredita que ela pode ter raízes na infância (com uma alta cobrança de sucesso vinda da família) ou surgir na fase adulta, quando a vida se torna mais desafiadora e aumentam os momentos de insegurança.

Até mesmo a qualidade do ambiente de trabalho e a existência de outros transtornos psicológicos (como ansiedade extrema e depressão) podem ser portas de entrada para os sentimentos trazidos pela síndrome do impostor. 

7 principais sinais da síndrome do impostor

sinais da síndrome do impostor

A síndrome do impostor pode se manifestar de diferentes formas. 

Até mesmo a intensidade dela pode variar de portador para portador, contudo, há um conjunto de sinais que são considerados indícios claros dessa síndrome. Veja quais são: 

1. Comparação

Quem sofre com a síndrome do impostor costuma se comparar demais com os outros, e geralmente se coloca em posição inferior. 

É como se tudo que há de bom e positivo só aparecesse nos outros e nunca em si próprio. 

Esse excesso de comparação gera infelicidade, mesmo quando a pessoa não enxerga direito que essa comparação é distorcida. 

É comum que o portador da síndrome faça comparações como olhar para o trabalho do colega e pensar que ele é mais eficiente e, portanto, mais merecedor de estar ali, ocupando aquela posição na empresa.

2. Autossabotagem

Autossabotagem acontece quando você mesmo frustra seus planos e gera insegurança e falta de confiança. 

Na prática, quem se autossabota está agindo contra si mesmo, criando comportamentos e dificuldades para a rotina.

Um exemplo clássico de autossabotagem seria algo como você se inscrever para um processo seletivo no trabalho e desistir de estudar para a prova porque acredita que ela é difícil demais ou que você não tem o que é preciso nem mesmo para fazer o teste. 

3. Procrastinação

A procrastinação é o famoso ato de enrolar para fazer as tarefas. 

Os motivos para a demora na execução variam bastante e vão desde de insegurança até dificuldades para se concentrar e organizar as obrigações do dia. 

O melhor exemplo é aquele dia improdutivo, quando você faz mil coisas de menor relevância só para adiar o cumprimento das tarefas mais chatas e complicadas (mas que são muito mais importantes). 

4. Sentimento de não pertencimento

Esse sinal da síndrome do impostor acontece quando o portador não se sente à altura do ambiente onde frequenta. 

É a sensação de incapacidade, de não conseguir acompanhar os demais. 

O resultado comum dessa sensação é o afastamento social. 

A pessoa evita momentos de interação e prefere ficar no seu canto, onde se sente um pouco mais segura.

5. Autodepreciação

Autodepreciação acontece quando uma pessoa é muito crítica consigo mesmo. 

Dois comportamentos muito comuns são não gostar de suas características e talentos e não enxergar qualidade nas coisas que são feitas, seja algo da rotina de trabalho ou até mesmo um hobby. 

Um exemplo de autodepreciação acontece quando você faz algo muito bom, recebe elogios, mas a sensação é de que nada está bom e as pessoas só estão elogiando para animar o outro. 

6. Ingratidão

É comum que o portador da síndrome do impostor se negue a receber cumprimentos e elogios de outras pessoas, já que existem dificuldades de aceitar e acolher as qualidades e talentos.

7. Nível crítico muito alto

O impostor nunca está satisfeito com o que faz, mesmo que o trabalho seja excelente. 

O excesso de autocrítica dificulta que a pessoa enxergue aquilo que está bem feito. 

A cobrança excessiva também costuma gerar muito estresse e irritação e até casos de burnout.

5 perfis da síndrome do impostor

De acordo com a pesquisadora Valerie Young, uma das referências mundiais quando o assunto é síndrome do impostor, existem 5 perfis de impostor. 

Eles estão descritos no livro de Young, chamado Os Pensamentos Secretos de Mulheres das Sucesso. Veja como a autora descreve cada um deles.

1. O perfeccionista

perfeccionista

Quem se encaixa nesse perfil tem como principal característica o excesso de crítica e a dificuldade de apreciar o resultado do próprio esforço. 

O foco do perfeccionista não é no que deve ser feito, mas sim em como isso deve ser feito.

Como resultado dessa busca pela perfeição, é comum que haja muita negatividade e insegurança. 

Em vez de focar na felicidade que é cumprir uma tarefa, quem tem esse perfil se esforça muito mais para encontrar pequenos defeitos naquilo que fez. 

Também é comum que o perfeccionista deixe de tentar coisas novas por medo de não conseguir executá-las com qualidade logo de cara. 

É como deixar de aprender a andar em uma bicicleta porque não quer começar com a ajuda das rodinhas de apoio. 

2. O gênio natural

gênio natural

O gênio natural é aquele que tem talento para aprender coisas ou, de fato, é muito bom naquilo que faz. 

Ele tem noção de suas habilidades, porém, se sabota na hora de aprender coisas novas, justamente por ter medo de não dominá-las. 

Esse tipo de pessoa se inspira em mentes brilhantes e acredita que as pessoas muito inteligentes não sofrem para aprender nada, logo, se ela está sofrendo, isso significa que é incapaz. 

Para ficar claro, pense naquele aluno que é o queridinho das professoras ao longo de todo o ensino médio e que chega na faculdade e percebe que existem outros alunos tão bons quanto eles (e que os assuntos agora são muito mais complicados). 

3. O individualista

individualista

O individualista não precisa de ajuda de ninguém. 

Ele acredita cegamente que é indispensável dar conta de tudo sozinho

Quando isso não acontece, a pessoa desse perfil fica frustrada e sente que é incapaz de fazer suas tarefas.

O problema é que nem tudo pode ser feito sozinho, não é mesmo? 

É comum que o individualista pegue tarefas muito complexas para si, assuma mais responsabilidade do que deve e se desaponte ao perceber que não será capaz de cumprir tudo. 

4. O especialista

especialista

É o tipo da pessoa que se enrola com entregas, não consegue seguir cronogramas e está sempre inseguro, pedindo mais prazo para algo importante. O motivo desse atraso todo? Excesso de cautela.

O especialista costuma passar horas e mais horas tentando aprender tudo sobre o assunto que precisa lidar. 

Muitas vezes ele passa tanto tempo se munindo de informação, que não consegue entregar suas tarefas na data certa.

Essa pesquisa intensa é fruto da falta de confiança nas suas capacidades, na insegurança quanto ao que sabe e também devido a traços de perfeccionismo. 

5. O super-herói

super-heroi

O super-herói quer ser bem sucedido em tudo: em casa, no trabalho, na partida de futebol com os amigos, no relacionamento e em qualquer cenário que ele se posiciona.

Mas como é difícil ser bom em tudo (e viver uma vida sem erros), o super-herói se frustra demais com seus deslizes. 

Ele se esforça muito em todos os papéis que assume, deposita muita energia, mas desmorona quando erra e não dá conta de ser perfeito. 

E mesmo sabendo que está sobrecarregado de coisas e funções, esse perfil sempre acha que precisa fazer mais e dar mais duro no dia a dia!

Síndrome do Impostor e a Ansiedade Social

Podem acontecer casos em que a síndrome do impostor se alinha a um quadro de ansiedade social, o que faz com que o portador sinta que não pertence ao grupo em que se encontra e até nos lugares que frequentam.

Nem todo portador da síndrome se sente assim, porém, é preciso ficar atento. 

Fique alerta aos sinais como nervosismo, sensação de que alguém vai descobrir que você é uma fraude ou até mesmo momentos em que você se sente inseguro para se relacionar. 

Como lidar com a síndrome do impostor? 

Não existe um tratamento padrão para síndrome do impostor. 

A condição não é como uma gripe, não existe remédio na farmácia que resolva isso, o melhor jeito de acabar com os sinais da síndrome é fazendo acompanhamento psicológico.

A terapia vai ajudar o portador na percepção de seus comportamentos, de suas sabotagens e dos sentimentos negativos, além de permitir que haja bastante reflexão e diálogo sobre elas.

Não há como fugir dessa recomendação. 

Como se trata de uma condição psicológica, nada melhor do que estar acompanhado de um especialista, porém, você pode adotar alguns hábitos que te ajudam a evitar cenários onde a síndrome do impostor aparece. Veja alguns deles:

  1. Evite comparações desnecessárias. Tire de si o peso de ser igual ou melhor que os outros. Foque no seu potencial e em como você pode desenvolvê-lo;
  2. Aceite os erros. Até mesmo quem tem muito sucesso na vida já passou por maus bocados. Errar é humano e você não é uma máquina à prova de deslizes. Aceite e aprenda com o que não dá certo;
  3. Valorize-se! Não deixe que nada ou ninguém deposite dúvidas sobre as suas qualidades. Pense em tudo o que você já viveu e as experiências que absorveu. Se você chegou no patamar onde está agora, é porque houve muito valor e dedicação.

Existe um lado positivo da síndrome do impostor?

Mesmo que a síndrome do impostor seja um desafio, há sempre um outro lado da moeda. Estudos conduzidos no MIT apontaram que comportamentos que os perfis de impostores apresentam podem ajudá-los a serem melhores no que fazem.

De fato, não há nada de errado em ser perfeccionista ou em abraçar várias atividades e buscar qualidade em todas elas. O problema é pecar pelo excesso. 

É preciso respeitar a linha da autocrítica para que ela não vire autodepreciação e sabotagem, por exemplo. 

O segredo é reconhecer suas características, mas sem deixar que elas dominem seus pensamentos e te coloquem em um nível de exigência inalcançável. 

Famosos que já relataram sofrer da síndrome do impostor

Michelle Obama
Michelle Obama, ex-primeira dama dos Estados Unidos, já relatou sofrer com a síndrome do impostor.

Lembra quando falamos que mais de 70% dos profissionais já passaram por quadros de síndrome do impostor? 

Pessoas famosas não estão livres disso, na verdade, muitas delas fazem questão de compartilhar sua história para encorajar pessoas a buscarem ajuda.

Nomes importantes da história mundial como Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na lua, e Michelle Obama, ex-primeira dama dos EUA, são alguns que enfrentaram a síndrome e contaram suas trajetórias para acabar com a insegurança que ela traz.

Até mesmo grandes nomes de Hollywood, como Emma Watson, Natalie Portman e Tom Hanks disseram que sofreram com comportamentos impostores ao longo de suas carreiras de sucesso. 

Se identificou? Busque ajuda!

A síndrome do impostor é algo que pode prejudicar sua carreira, sua rotina escolar e sua vida pessoal. Não deixe que essa condição tome conta de você. Caso se identifique com alguns sinais, busque ajuda. 

Quanto mais cedo você olhar para essas questões que minam sua confiança, melhor será sua trajetória profissional e suas relações mais próximas, seja com colegas de trabalho e até mesmo familiares!

Quer receber mais conteúdos como esse gratuitamente?

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail e turbinar seus estudos!

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.