como usar a vírgula

Como usar a vírgula corretamente: 5 regras para você nunca mais esquecer

Você sabe como usar a vírgula?

Uma das regras gramaticais que mais confundem os brasileiros, sem dúvidas é a utilização da vírgula.

É grande a possibilidade de você, assim como inúmeras pessoas, ter aprendido que a vírgula é usada quando há um respiro na fala.

Porém, é claro, essa regra não é bem por aí…

Quer saber quais as formas corretas de utilizar esse elemento gramatical?

Então vem com a gente que neste artigo explicamos tudo para você.

5 regras para entender quando usar a vírgula

Como mencionamos, muitas pessoas aprenderam lá no jardim de infância que a vírgula representa o respiro da fala.

“Leia o texto em voz alta. Se você parar para respirar, tem uma vírgula ali”.

Essa é uma frase clássica, que com certeza já deve ter ouvido do seu professor, ou professora, no processo de alfabetização.

Porém, cada pessoa possui um ritmo próprio de respiração, o que pode variar, ainda mais, de uma situação para outra (se você está explicando algo quando está eufórico, vai respirar mais vezes que em uma situação em que se encontra relaxado).

Mas, como saber, então, quando utilizar a vírgula?

Existem algumas regras básicas que podemos seguir para não errar mais, confira:

1) Em listagens:

Observe a seguinte frase:

“Dona Maria foi à feira e comprou tomates cebola alface e agrião”

A mesma frase poderia ser listada, veja só:

“Dona Maria foi à feira e comprou:

  • Tomates
  • Cebola
  • Alface
  • Agrião”

Sendo assim, a primeira regra da utilização da vírgula é: se pode ser listado, a vírgula é obrigatória.

Desta forma, a frase fica assim:

“Dona Maria foi à feira e comprou tomates, cebola, alface e agrião

Repare que a vírgula não é utilizada antes do “e”, porém, há exceções que vamos explicar mais à frente.

2) Separar explicações no meio de frases

Agora, veja essa frase:

“Dona Maria, mãe do Pedro e do João, sempre compra produtos frescos na feira”

Repare que, nesta frase, há uma contextualização de quem é a Dona Maria, sendo ela a mãe do Pedro e do João.

Em casos assim, quando uma frase possui uma explicação no seu meio, tal explicação precisa estar entre vírgulas.

3) Em frases que começam com expressões de tempo, lugar ou modo

Veja as seguintes frases:

Na semana passada, estava muito calor” (Frase iniciada com expressão de tempo)

No meu trabalho, fazemos um café da manhã coletivo toda sexta-feira” (Frase iniciada com expressão de lugar)

Desta forma, as coisas melhoram por aqui” (Frase iniciada com expressão de modo)

Como você pode observar, quando a frase é iniciada com alguma expressão de tempo, lugar ou modo, a vírgula é obrigatória após tal expressão.

4) Indicar ou chamar a atenção do interlocutor

Quando, na oração, há a necessidade de referenciar ou falar diretamente com o interlocutor, a vírgula também é obrigatória:

Dona Maria, a senhora vai querer quantos tomates hoje?”

“Hoje vou levar cinco tomares, clarisse”

5) Separação de orações independentes

Orações independentes são aquelas, que mesmo fora da frase, podem ser entendidas por si só.

Veja o exemplo abaixo:

“Eu gosto de chocolate, porém estou evitando por conta da minha dieta”

Na frase acima, temos uma frase com duas orações independentes:

“Eu gosto de chocolate” e “estou evitando (chocolate) por conta da minha dieta”

Repare que, se separadas, as orações têm sentido próprio, sem a necessidade de auxílio.

Em casos como o da frase exemplificativa, em que tais orações formam uma única oração, conectadas por uma conjunção (o “porém”, nesse caso), é necessária a vírgula para separá-las.

Há casos, porém, que não existe a presença de um conectivo para a ligação das orações, mas, se são orações independentes, a vírgula continua sendo obrigatória. Veja o exemplo:

“Dona Maria chegou em casa, desembrulhou as mercadorias, sentou-se à mesa, tomou um café”.

Posso usar a vírgula antes de “e”?

De forma geral, não se utiliza vírgula antes de “e”. Porém, como falamos anteriormente, há uma exceção.

Em uma frase, quando duas orações tratam de pessoa, coisa ou objeto (sujeito) distintos, é permitido o uso de vírgula antes do “e”.

Veja:

“Mais um dia amanheceu, e Dona Maria coa seu café”

Observe que na frase exemplificativa, a primeira oração trata do sujeito “sol”, enquanto a segunda frase refere-se a Dona Maria como o sujeito da oração.

Em casos assim, a vírgula antes do “e” é permitida.

Existem casos em que usar a vírgula é opcional?

Sim. Na verdade, existem 10 casos nos quais o uso da vírgula é facultativo, ou seja, é opcional.

1) Antes de adjunto adverbial

Adjunto adverbial é aquela palavra que acompanha o verbo e dá um sentido específico, ou intensifica o mesmo.

Em casos assim, se a oração estiver em ordem direta (sujeito + verbo + objeto + adjunto adverbial), o uso da vírgula é opcional.

Exemplo:

  • Pedro se atrasou hoje pela manhã;
  • Pedro se atrasou, hoje pela manhã.

2) Depois de objeto direto ou indireto no início da oração

Lembrando que objeto direto e indireto são aqueles que são associados a um verbo transitivo e, enquanto o primeiro não necessita de preposição, o segundo a preposição é exigida.

Nos casos aos quais o objetivo antecede o verbo, ao contrário da ordem direta, também é facultativo o uso da vírgula.

Exemplo:

  • Aos meus pais eu obedeço;
  • Aos meus pais, eu obedeço.

3) Antes da conjunção “e” ligando orações com sujeitos diferentes

Como vimos no tópico anterior, o uso da vírgula antes do “e” se dá quando há a junção de orações com sujeitos diferentes. Porém, seu uso também é opcional.

Exemplo:

  • Dona maria saiu e seu pedro chegou;
  • Dona maria saiu, e seu pedro chegou

4) Após adjunto adverbial de curta extensão

Quando o adjunto adverbial de curta extensão (aquele formado por até dois termos) estiver deslocado na oração, a vírgula pode ser utilizada após ele.

  • Pela noite dona Maria assiste à novela;
  • Pela noite, dona Maria assiste à novela.

5) Em expressões opinativas

Ou seja, expressões que demonstram um ponto de vista.

Exemplo:

  • Aquele jogo para mim foi roubado;
  • Aquele jogo, para mim, foi roubado.

6) Antes de orações subordinadas adverbiais

Lembrando que orações subordinadas são aquelas que fazem o papel do adjunto adverbial e que só fazem sentido completo se acompanhadas de outra.

Exemplo:

  • Vamos sair se você me chamar;
  • Vamos sair, se você me chamar.

7) No final da oração adjetiva restritiva

Em casos que em a oração adjetiva restritiva (aquela que refere-se apenas a partes dos integrantes designados pelo pronome relativo) tiver um tamanho expressivo e o verbo estiver próximo do da principal, a vírgula pode ser utilizada.

Exemplo:

  • Os estudantes que tiveram o privilégio de conseguir entrar na faculdade por meio de bolsa devem aproveitar a oportunidade de mudar o seu meio;
  • Os estudantes que tiveram o privilégio de conseguir entrar na faculdade por meio de uma bolsa, devem aproveitar a oportunidade de mudar o seu meio.

8) Após as conjunções adversativa no início do período

Conjunções adversativas são aquelas palavras que dão ideia de oposição e contraste (contudo, porém, todavia…). Se ela estiver alocada no início do período, a vírgula é facultativa.

Exemplo:

  • Estava tudo perdido. Porém uma luz raiou no horizonte.
  • Estava tudo perdido. Porém, uma luz raiou no horizonte.

A única exceção é a conjunção “mas”, a qual não permite o uso da vírgula.

9) Antes do “ou” ligando as orações

Basicamente, é a mesma ideia do uso da vírgula antes do “e”, que já vimos aqui. A diferença é que seu uso salienta o trecho.

Exemplo:

  • Precisamos terminar esse trabalho ou não sairemos para o almoço;
  • Precisamos terminar esse trabalho, ou não sairemos para o almoço;

10) Sujeito oracional introduzido por “quem”

Exemplo: 

  • Quem estuda, vai bem na prova;
  • Quem estuda vai bem na prova;

Quando não usar a vírgula?

Como você já pôde perceber, o uso da vírgula é um pouco mais específico que aplicá-la no respiro da frase.

Porém, além de entender quando deve ser feito o seu uso, também é importante entender quando não usá-la.

Em resumo, existem duas situações as quais isso acontece, veja:

1) Não se separa sujeito de predicado

Lembrando que predicado é toda a ação realizada pelo sujeito da oração.

Isso se aplica tanto a um substantivo simples no sujeito:

  • Dona Maria foi à feira. (Correto)

  • Dona Maria, foi à feira. (Inconcorreto)

Como também quando outros nomes acompanham o sujeito:

  • Todos os filhos de dona Maria foram à praia (Correto);

  • Todos os filhos de dona Maria, foram à praia (Incorreto).

2) Não separar o verbo do complemento

A ideia é a mesma aqui, seja para orações diretas ou indiretas:

  • Dona Maria pediu ao seu filho que a acompanhasse (Correto);

  • Dona Maria pediu, ao seu filho, que a acompanhasse (Incorreto).

A regra também é a mesma quando os objetos estão invertidos.

  • Dona Maria aconselhou seu filho sobre a vida. (Correto)

  • Dona Maria aconselhou, seu filho, sobre a vida. (Incorreto)

  • Dona Maria aconselhou seu filho, sobre a vida. (Incorreto)

Porque uma vírgula pode mudar tudo

Entender como utilizar a vírgula da maneira correta, para muito além de escrever corretamente, evita o ruído na comunicação.

Sua ausência, ou má aplicação, pode mudar completamente o sentido de uma frase.

Veja a diferença entre:

“Não haverá emenda de feriado para vocês”

e

“Não, haverá feriado para vocês”

Enquanto na primeira frase compreende-se que a emenda do feriado está suspensa, na segunda há uma afirmação de ganho do dia de folga.

Por isso, para não haver dúvidas sobre a mensagem que deseja passar, ter um total domínio sobre ela garante mensagens claras e sem ambiguidade, seja em um e-mail, redação, bilhete, ou até mesmo naquela mensagem diária do WhatsApp.

Uma vírgula pode mudar tudo!

E, como você viu, sua utilização vai muito além da famosa pausa para respirar.

Saber a forma correta de se aplicar a vírgula melhora a comunicação e evita grandes “saias justas”

Agora que você já sabe tudo sobre vírgula, não deixe de conferir também o artigo que preparamos sobre como melhorar o português.

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