como fazer conclusão de redação

Como Fazer Conclusão de Redação: 5 Dicas Infalíveis

Você sabe como fazer a conclusão de uma redação?

É muito comum que em vestibulares, concursos públicos e exames, como o Enem, exijam a elaboração de uma redação como parte da avaliação do candidato.

Mas, você sabia que tem muita gente que constrói excelentes redações, mas não sabe como encerrar o texto de forma correta, tendo a nota final prejudicada por conta disto?

E, aqui entre nós, se você está estudando para essas provas, sabe o quanto a nota da redação pesa na média final, não é mesmo?

Está sentindo que suas redações não estão tendo conclusões bacanas? Calma! 

Você está no lugar certo.

Neste texto, vamos conversar e aprender mais a fundo sobre como fazer uma boa conclusão, além de darmos dicas infalíveis para um fechamento memorável do seu texto.

O que é uma conclusão de redação?

A conclusão nada mais é do que o desfecho do texto, é o momento da redação em que todos os pontos de vista levantados ao longo dela são validados por você, de forma convincente.

Apesar de ser a parte final da redação, ela não pode ser deixada de lado e ser pensada por último. Uma redação precisa ser coesa, ou seja, todas as partes precisam estar conectadas e conversando entre si, o que não é diferente da conclusão.

Pensar na conclusão do texto define os caminhos argumentativos que serão trilhados para se chegar ao seu final de maneira lógica e bem estruturada.

Lembre-se que toda redação trata-se também de um texto persuasivo, afinal, para além das regras ortográficas, também será avaliada sua perspectiva diante do tema. 

A conclusão, portanto, é o momento de impactar quem estiver lendo, e mostrar que seu ponto de vista é inquestionável.

Por que a conclusão de uma redação é importante?

Você entraria em um barco que, por mais que o capitão seja um excelente marinheiro, não sabe para onde está indo?

Pois é, podemos fazer a mesma alusão a redações com conclusões  mal construídas.

Quando um texto não é finalizado de forma convincente, demonstra falta de planejamento na construção da redação, além de desconhecimento sobre o assunto tratado, o que não é nada bom quando pensamos em um texto de convencimento.

Uma boa conclusão deve conter uma síntese do que foi apresentado ao longo do texto, sem apresentar novos pontos de vista, mas sim, possíveis soluções para as problemáticas levantadas anteriormente.

Existem algumas formas de fazer isso, como você verá a seguir.

Quais são os tipos de conclusão?

Existem três tipos de conclusões que podem ser aplicadas a uma redação, dependendo do que é proposto em seu enunciado.

1. Dedução

Neste modo de conclusão, a finalização do texto se dá pelo desenvolvimento de todo o raciocínio construído ao longo do texto, ou seja, não se retoma ideias, mas sim, se apresenta o efeito para o que foi apresentado na redação. 

“Logo”, “portanto”, “por isso”, “de modo que”, “assim” são alguns exemplos de conjunções conclusivas utilizadas neste modo de concluir uma redação.

2. Síntese

Como o nome sugere, é a conclusão por meio da retomada das principais ideias levantadas no decorrer do texto, de forma a consolidar o seu ponto de vista, sua argumentação, mas tomando muito cuidado para não ser repetitivo. 

Sendo assim, é relembrada a tese e a essência dos argumentos com o intuito de mostrar a coerência do texto e torná-lo memorável, no sentido de afirmar os pontos levantados.

3. Solução

Atenção concurseiros do Enem.

Para essa prova, em específico, a conclusão por solução é obrigatória!

Mas, respira… sem alterar a ansiedade, afinal, a ideia básica desse modo é apresentar uma sugestão para a problemática levantada e debatida ao longo do texto.

É importante ressaltar aqui que a solução proposta tem que ser coerente, ou seja, não pode ser algo “milagroso” ou totalmente fora da realidade e nem desconexa ao que é discutido nas argumentações.

Por outro lado, também não é interessante apresentar ideias genéricas e sem posicionamento. É preciso encontrar um equilíbrio entre o real e o ideal, algo que seja palpável.

Por isso, no próprio Enem essa conclusão também é conhecida como “proposta de intervenção”, afinal, propor uma solução complexa em aproximadamente cinco linhas é uma tarefa difícil, senão, impossível.

O que você precisa ter em mente aqui é a seguinte fórmula para apresentação da solução: ação, agente, modo, efeito e detalhamento.

Ou seja: Qual ação será tomada? Quem será o responsável por ela? Como ela será feita? Qual o efeito desejado? Como podemos detalhar essa ação?

Essa é uma dica de ouro para mandar bem na conclusão da redação do Enem, mas, a seguir separamos mais 5 dicas infalíveis para qualquer redação.

Como fazer a conclusão de redação? 5 Dicas Infalíveis

Agora, acompanhe essas dicas valiosas para dar AQUELA turbinada nas suas conclusões.

1. Não apresente novos argumentos

Lembre-se, a conclusão é o fechamento do texto. Toda argumentação apresentada ao longo dele vai ter seu desfecho aqui.

Apresentar um novo argumento neste momento passará a ideia de continuidade, algo contrário ao que buscamos nesse momento.

2. Retome seu ponto de vista

Vamos recordar a estrutura da redação: na introdução é apresentada a tese, ou seja, seu ponto de vista a respeito do tema e, em seguida, na argumentação, o porquê do seu ponto de vista estar correto.

Na conclusão, retome a sua tese, a razão pela qual tudo aquilo foi discutido, para então seguir com a conclusão planejada, seja ela dedução, síntese ou solução.

3. Conectivos, sempre!

Ao iniciar sua conclusão, sempre utilize um conectivo. 

Porém, atente-se que o conectivo precisa fazer ligação com as ideias centrais da tese, e não apenas com o parágrafo anterior.

Alguns exemplos de conectivos que você pode utilizar: logo, portanto, pois, então, assim, por isso, por conseguinte, de modo que, em vista disso.

4. Planeje sua conclusão

Lembre-se sempre que a conclusão é tão importante quanto as outras partes do texto, e não deve ser deixada para ser pensada por último. 

Uma conclusão planejada ajuda a definir os caminhos trilhados ao longo da redação e dá mais consistência e convencimento das suas ideias.

5. Leia muito

Afinal, para além de técnicas de escrita e estruturação da redação, o bom conteúdo é a essência de uma boa redação e conclusão. 

Desenvolver um senso crítico e estar em dia com os assuntos da atualidade contribui não apenas para a argumentação, mas também para aquela proposta de intervenção condizente e realista exigida que toda redação precisa.

Por isso, entra aqui a importância da leitura, que possibilita essa ampliação de repertório de mundo e desenvolvimento de senso crítico.

3 Exemplos de boas conclusões para você se inspirar

conclusão de redação

Abaixo, selecionamos algumas conclusões de redações nota máxima em edições passadas do Enem.

Observe que nem todas seguem o padrão de manter a conclusão APENAS no último parágrafo, porém, todas seguem a estrutura base: ação, agente, modo, efeito e detalhamento, que citamos anteriormente.

Também, destacamos as conclusões em negrito, para que você consiga perceber claramente o trecho.

1. Redação da Thais Seager, para o Enem 2018. Tema: “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”.

É fato que a tecnologia revolucionou a vida em sociedade nas mais variadas esferas, a exemplo da saúde, dos transportes e das relações sociais. No que concerne ao uso da internet, a rede potencializou o fenômeno da massificação do consumo, pois permitiu, por meio da construção de um banco de dados, oferecer produtos de acordo com os interesses dos usuários. Tal personalização se observa, também, na divulgação de informações que, dessa forma, se tornam, muitas vezes, tendenciosas. Nesse sentido, é necessário analisar tal quadro, intrinsecamente ligado a aspectos educacionais e econômicos.

É importante ressaltar, em primeiro plano, de que forma o controle de dados na internet permite a manipulação do comportamento dos usuários. Isso ocorre, em grande parte, devido ao baixo senso crítico da população, fruto de uma educação tecnicista, na qual não há estímulo ao questionamento.

Sob esse âmbito, a internet usufrui dessa vulnerabilidade e, por intermédio de uma análise dos sites mais visitados por determinado indivíduo, consegue rastrear seus gostos e propor notícias ligadas aos seus interesses, limitando, assim, o modo de pensar dos cidadãos. Em meio a isso, uma analogia com a educação libertadora proposta por Paulo Freire mostra-se possível, uma vez que o pedagogo defendia um ensino capaz de estimular a reflexão e, dessa forma, libertar o indivíduo da situação a qual encontra-se sujeitado – neste caso, a manipulação.

Cabe mencionar, em segundo plano, quais os interesses atendidos por tal controle de dados. Essa questão ocorre devido ao capitalismo, modelo econômico vigente desde o fim da Guerra Fria, em 1991, o qual estimula o consumo em massa. Nesse âmbito, a tecnologia, aliada aos interesses do capital, também propõe aos usuários da rede produtos que eles acreditam ser personalizados.

Partindo desse pressuposto, esse cenário corrobora o termo “ilusão da contemporaneidade” defendido pelo filósofo Sartre, já que os cidadãos acreditam estar escolhendo uma mercadoria diferenciada mas, na verdade, trata-se de uma manipulação que visa ampliar o consumo.

Infere-se, portanto, que o controle do comportamento dos usuários possui íntima relação com aspectos educacionais e econômicos.

Desse modo, é imperiosa uma ação do MEC, que deve, por meio da oferta de debates e seminários nas escolas, orientar os alunos a buscarem informações de fontes confiáveis como artigos científicos ou por intermédio da checagem de dados, com o fito de estimular o senso crítico dos estudantes e, dessa forma, evitar que sejam manipulados.

Visando ao mesmo objetivo, o MEC pode, ainda, oferecer uma disciplina de educação tecnológica nas escolas, através de sua inclusão na Base Comum Curricular, causando um importante impacto na construção da consciência coletiva. Assim, observar-se-ia uma população mais crítica e menos iludida.

  1. Redação da Isabella Barros Castelo Branco, para o Enem 2017. Tema: “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”

Na obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, o realista Machado de Assis expõe, por meio da repulsa do personagem principal em relação à deficiência física (ela era “coxa), a maneira como a sociedade brasileira trata os deficientes.Atualmente, mesmo após avanços nos direitos desses cidadãos, a situação de exclusão e preconceito permanece e se reflete na precária condição da educação ofertada aos surdos no País, a qual é responsável pela dificuldade de inserção social desse grupo, especialmente no ramo laboral.

Convém ressaltar, a princípio, que a má formação socioeducacional do brasileiro é um fator determinante para a permanência da precariedade da educação para deficientes auditivos no País, uma vez que os governantes respondem aos anseios sociais e grande parte da população não exige uma educação inclusiva por não necessitar dela.

Isso, consoante ao pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca, ocorre porque a educação básica é deficitária e pouco prepara cidadãos no que tange aos respeito às diferenças.

Tal fato se reflete nos ínfimos investimentos governamentais em capacitação profissional e em melhor estrutura física, medidas que tornariam o ambiente escolar mais inclusivo para os surdos.

 Em consequência disso, os deficientes auditivos encontram inúmeras dificuldades em variados âmbitos de suas vidas. Um exemplo disso é a difícil inserção dos surdos no mercado de trabalho, devido à precária educação recebida por eles e ao preconceito intrínseco à sociedade brasileira.

Essa conjuntura, de acordo com as ideias do contratualista Johm Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que tais cidadãos gozem de direitos imprescindíveis (como direito à educação de qualidade) para a manutenção da igualdade entre os membros da sociedade, o que expõe os surdos a uma condição de ainda maior exclusão e desrespeito.

Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que a Escola promova a formação de cidadãos que respeitem às diferenças e valorize a inclusão, por intermédio de palestras, debates e trabalhos em grupo, que envolvam a família, a respeito desse tema, visando a ampliar o contato entre a comunidade escolar e as várias formas de deficiência.

Além disso, é imprescindível que o Poder Público destine maiores investimentos à capacitação de profissionais da educação especializados no ensino inclusivo e às melhorias estruturais nas escolas, com o objetivo de oferecer aos surdos uma formação mais eficaz.

Ademais, cabe também ao Estado incentivar a contratação de deficientes por empresas privadas, por meio de subsídios e Parcerias Público-Privadas, objetivando a ampliar a participação desse grupo social no mercado de trabalho. Dessa forma, será possível reverter um passado de preconceito e exclusão, narrado por Machado de Assis e ofertar condições de educação mais justas a esses cidadãos.

  1. Redação da Marcela Souza Araújo, para o Enem 2017. Tema: “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”

No meio do caminho tinha uma pedra

No limiar do século XXI, a intolerância religiosa é um dos principais problemas que o Brasil foi convidado a administrar, combater e resolver. Por um lado, o país é laico e defende a liberdade ao culto e à crença religiosa. Por outros, as minorias que se distanciam do convencional se afundam em abismos cada vez mais profundos, cavados diariamente por opressores intolerantes. 

O Brasil é um país de diversas faces, etnias e crenças e defende em sua Constituição Federal o direito irrestrito à liberdade religiosa. Nesse cenário, tomando como base a legislação e acreditando na laicidade do Estado, as manifestações religiosas e a disseminação de ideologias fora do padrão não são bem aceitas por fundamentalistas. Assim, o que deveria caracterizar os diversos “Brasis” dentro da mesma nação é motivo de preocupação.

Paradoxalmente ao Estado laico, muitos ainda confundem liberdade de expressão com crimes inafiançáveis. Segundo dados do Instituto de Pesquisa da USP, a cada mês são registrados pelo menos 10 denúncias de intolerância religiosa e destas 15% envolvem violência física, sendo as principais vítimas fiéis afro-brasileiros. Partindo dessa verdade, o então direito assegurado pela Constituição e reafirmado pela Secretaria dos Direitos Humanos é amputado e o abismo entre oprimidos e opressores torna-se, portanto, maior.

Parafraseando o sociólogo Zygmun Bauman, enquanto houver quem alimente a intolerância religiosa, haverá quem defenda a discriminação. Tomando como norte a máxima do autor, para combater a intolerância religiosa no Brasil são necessárias alternativas concretas que tenham como protagonistas a tríade Estado, escola e mídia.

O Estado, por seu caráter socializante e abarcativo deverá promover políticas públicas que visem garantir uma maior autonomia religiosa e através dos 3 poderes deverá garantir, efetivamente, a liberdade de culto e proteção; a escola, formadora de caráter, deverá incluir matérias como religião em todos os anos da vida escolar; a mídia, quarto poder, deverá veicular campanhas de diversidade religiosa e respeito às diferenças. Somente assim, tirando as pedras do meio do caminho, construir-se-á um Brasil mais tolerante.

Por fim, a conclusão.

Assim como numa redação, esse texto chegou ao fim.

Agora, é a sua vez de colocar em prática todas essas dicas, redigindo redações sobre assuntos diversos e tomando todo o cuidado para concluir da maneira correta. Assim, vai estar mais que preparado(a) para brilhar na prova daquela conquista tão desejada.

Aliás, para começar a praticar, diga para nós, aqui nos comentários: qual modo de conclusão que utilizamos neste texto?

E se você tem dúvidas sobre utilização de pontuações, não deixe de ler os textos que preparamos sobre crase e hífen, e também sobre como fazer um bom título, dicas essenciais para a construção de uma boa redação,

Vale a pena a leitura.

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